"As vezes você só tem que botar The Doors pra tocar e deixar o Jim Morrison fazer sua coisa" essa frase foi escrita por mim mesmo quando eu pensei em uma justificativa para esse ranking, mas a verdade é que eu fui escutar um álbum do The Doors outro dia desses e ai percebi que tinha bastante coisa da discografia deles que eu nunca tinha ouvido mesmo sendo uma das minhas bandas sessentistas favoritas. Então hoje nós vamos passar por todos os seis álbuns do The Doors lançados com o Jim Morrison em vida, trazendo as temáticas, as melhores músicas e também os erros dentro da discografia de uma das bandas mais interessantes de todos os tempos ranqueadas da pior para a melhor.
Sexto Lugar - The Soft Parade

Eu já esperava ter algum tipo de sentimento forte sobre esse disco porque ele é o mais divisivo da discografia da banda, com muitos odiando ele e outros falando que ele foi injustiçado e que é um dos capítulos mais subestimados da banda, e como você pode ver pela posição no ranking, por mais que eu tenha ido escutar ele com a atitude mais otimista possivel, eu não gostei muito dele. The Soft Parade é o quarto álbum da banda lançado em 1969 e o contexto dele ter sido criado foi fruto de um caos completo dentro da banda naquele momento. Nessa época o alcoolismo do Jim Morisson já estava bem avançado e ele que sempre foi a principal fonte criativa da banda em letras e ideias não conseguia criar nada para esse disco, a banda então resolveu deixar o guitarrista Robby Krieger escrever as letras e também quebrou a sua própria regra de sempre apenas ser eles quatro no estúdio, dessa vez eles contrataram vários músicos de estúdio e adicionaram arranjos orquestrais dentro da sua sonoridade, ideia do produtor Paul Rothchild que achou que eles poderiam pegar a onda das bandas da época que estavam sofisticando o seu som. Então o The Doors sai do seu blues psicodélico para tentar seu o Sgt. Peppers ou o se Pet Sounds e pra mim simplesmente não parece um álbum do The Doors. Ele não tem uma temática bem estabelecida, e toda aquela aura de mistério e espiritualidade que envolve o grupo aqui é substituido por músicas sobre amor, natureza e liberdade mas sem complexidade. O álbum é todo ruim??? Não, ele é mediano, tem algumas músicas como "Shaman's Blues" e "Wild Child" que ainda tem bastante daquele toque do The Doors dos primeiros discos e a faixa- título que fecha o álbum eu acho um experimento bem interessante porque ela tem 9 minutos e ela vai mudando o andamento indo de jazz pra pop rock pra orquestra, eu não sei se eu gosto da música mas eu fico feliz que ela exista porque eu curto essas experimentações doidas que eles fazem. No Fim o Soft Parade é isso que o nome diz, uma parada estranha na carreira do The Doors. é um álbum que funciona melhor quando ouvido como um experimento isolado do que como uma continuação direta do que eles vinham fazendo. Se a banda tivesse seguido esse caminho nos álbuns seguintes, talvez hoje fossem lembrados de forma muito diferente, mas ao invés disso, eles fizeram o movimento oposto e voltaram às raízes, o que acabou reforçando a ideia de que o The Soft Parade foi uma exceção dentro da discografia clássica.
Quinto Lugar - Morisson Hotel

E por falar na continuição do The Soft Parade já chegamos nela, lançado 7 meses depois em 1970 o Morisson Hotel chegou como uma resposta as críticas negativas do Soft Parade com o The Doors chegando para provar que ainda poderia ser uma banda de blues rock de peso. Aqui não tem mais álbum mais ou menos na discografia da banda, todos eles tem pontos muito altos e poucos baixos e o Morisson Hotel é talvez o álbum mais blues da banda, o próprio Morisson já tinha saído daquele persona rockstar magro e estava naquela fase gordo e barbudo mais existencialista e isso reflete nas letras e sonoridade desse disco. "Roadhouse Blues" já abre o álbum como uma pancada, é uma faixa crua como um blues dos anos 50 com o Jim com uma voz poderosa chamando você para embarcar nessa viagem. "Peace Frog" é outro ponto alto no álbum e na discografia toda do grupo, é uma sonoridade que mistura blues com funk rock e tem uma letra surrealista sobre violência urbana com o Jim misturando experiências pessoais como a sua infame prisão em um show em 67, protestos da época por direitos civis que estavam acontecendo e até o infame acidente que ele presenciou na sua infância quando ele viu índios sendo queimados, aqui é onde as poesias dele mais brilham porque elas parecem soltas mas se encaixam de alguma forma que só daria para ser dentro daquele espaço musical. Dentro do disco também temos algumas músicas mais leves como "Queen Of The Highway" que tem uma história mais linear sobre uma história de amor na estrada que o Jim escreveu pra sua namorada Pamela Courson, e "Blue Sunday" que é uma pegada mais balada levezinha. O disco também tem algumas reaproveitações como "Waiting For The Sun" que deveria estar no álbum de mesmo nome de 1968 e "Indian Summer" que deveria estar no primeiro álbum mas ambas foram apenas finalizadas para esse. Morrison Hotel para mim é um passo na direção certa que é o retorno ao blues rock mas ele também fica um pouco abaixo porque ele aposta demais em recuperar esse som e deixa as experimentações um pouco de lado e nos outros discos você vê mais ideias e inventividades, além de que ele não parece ter uma temática bem definida, Morrison Hotel prefere aperfeiçoar uma linguagem já conhecida em vez de reinventá-la. Isso não diminui a qualidade do disco, mas pra mim é a razão pela qual ele fica um pouco atrás dos discos mais criativos da banda e que também tem mais faixas clássicas.
Quarto Lugar - Waiting For The Sun
Se o Soft Parade é uma direção diferente que eu não gosto muito Waiting For The Sun, terceiro álbum da banda, é o oposto, porque eles saem do blues rock experimental dos dois primeiros discos para ir para um lado mais pop rock, e eu gostei muito. A história aqui é que depois do grupo explodir com os dois primeiros discos a gravadora deles Elektra Records estava pressionando por um álbum com mais hits, nesse meio tempo os poemas que o Jim tinha escrito antes da banda explodir e que eles usaram nos primeiros álbuns estavam acabando, o que fez a banda começar a compor em estúdio, e assim nasceu o álbum mais acessivel do grupo, leve e ensolarado no estilo pop rock californiano sessentista. Ele já abre com "Hello, I Love You" e a faixa é basicamente uma música clássica dos Beatles cantada pelo The Doors, ela é bem leve e muito chiclete, não atoa é um dos maiores sucessos do grupo, "Love Street" é outra super delicada e popzinha que inclusive foi escrita pela Pamela Courson, e temos também "Summer's Almost Gone" que é uma balada bem melancólica, reflexiva e lenta. Mas claro que não é porque o disco tem uma pegada mais leve que ele não vai ter as inventividades do The Doors no seu auge criativo, e pra mim a melhor faixa do disco e uma das melhores da banda é "Not To Touch The Earth", musicalmente ela mistura o blues da banda com art rock e a letra só vai indo e indo, passando por xamanismo até assassinato do John Kennedy e guerra fria, e ela vai se encaixando junto com essa sonoridade ortodoxa para fechar perfeitamente com ele apenas dizendo "eu sou o rei lagarto, eu posso fazer qualquer coisa" que é uma das frases mais memoráveis dele, é uma música perfeita em todos os sentidos. Temos também uma música anti guerra do Vietnã com "The Unknown Soldier" que foi lançada como single inclusive e ela tem mudanças bruscas de andamento e efeitos sonoros que simulam um pelotão de execução, é bem forte e bem autoral. Temos também "Spanish Caravan" que tem elementos de flamenco, e uma das melhores performances da guitarra do Robby Krieger entregando uma psicodelia naquele estilo The Doors. E o disco fecha com a clássica "Five To One" que é uma das músicas com mais personalidade da banda com um riff pegajoso que gruda na sua mente, e eu tenho que dizer que pra mim que sou um gigantesco fã de "Takeover" do Jay Z e sei o andamento inteiro daquela batida, ouvir essa música é uma experiência bem peculiar, mas ela continua sendo muito boa. Waiting for the Sun é o álbum mais otimista dos Doors, depois de dois discos mergulhados em psicodelia, existencialismo e atmosferas sombrias, a banda escolheu explorar melodias mais leves e acessíveis, sem abandonar completamente a sua identidade e pra mim é ai que fica o seu charme, ele ainda tem a personalidade da banda mesmo que eles estavam explorando temas e sonoridades mais mainstreams e pra mim eles conseguem transitar bem por esses dois mundos. Ainda fica um pouco atrás pelos outros discos terem mais ideias geniais mas ainda assim é um disco bem subestimado da banda na minha visão.
Terceiro Lugar - Strange Days

Lnaçado oito meses depois do primeiro disco Strange Days vem em 1967 e a gravadora esperava algo mais comercial pra capitalizar em cima do sucesso de "Light My Fire" mas o The Doors foi na direção contrária, ele deixou toda a onda do verão do amor de 67 pro lado e fez o seu álbum mais estranho, experimental e obscuro na carreira. Enquanto a psicodelia da era hippie era colorida e otimista com letras sobre o poder do amor e da união a psicodelia que o The Doors traz nesse disco é urbana e paranoica, como achar que você viu algo em um beco escuro a noite mas você não tem certeza, pode ser qualquer coisa mas também pode não ser nada. Tudo isso já está presente na faixa- título que abre o disco como um manifesto, contando uma história com personagens deslocados da sociedade que estão experienciando dias estranhos, foi uma das primeiras músicas de rock a incorporar sintetizadores e o sintetizador da música traz uma sonoridade ameaçadora e desconfortável com sons que mais parecem de um filme de suspense misturado com um Alice no País das Maravilhas, é muito bizarra e muito boa. "Horse Latitudes" é outra ponto de criatividade do álbum, ela só tem 1 minuto e tem o Morrison todo teatral narrando um poema sobre um episódio histórico em que cavalos eram lançados ao mar durante longas viagens quando os navios precisavam reduzir peso, a gravação usa ruídos e vozes para criar uma atmosfera quase claustrofóbica como se você estivesse ouvindo aquilo em um teatro vazio. "People Are Strange" é talvez a música mais famosa desse álbum e é outra expressão artistica incrivel do frontman tanto na letra quanto na sua performance vocal, ele teve a ideia da música depois dele voltar de uma caminhada pelos morros de Los Angeles em um período de forte depressão, segundo os outros integrantes, ele retornou com a letra praticamente pronta e super otimista, e ela fala sobre a alienação e não se encaixar na sociedade quando você é "estranho" explorando essa temática do que é estranho para o ser humano médio, o que é basicamente o tema central de todo o álbum, inclusive ela foi lançada como single. E o disco se encerra com uma faixa de 11 minutos com "When The Music's Over" que mistura poesia com explosões musicais psicodélicas com o blues da banda, a letra fala de maneira ampla sobre a arte e a morte dela e como ela é tudo que nós temos até o fim fazendo alusões filosóficas e biblícas, com quebras musicais e um solo gigantesco do Robby Krieger para fechar de forma perfeita o disco. O álbum até tem algumas faixas mais tradicionais puxadas para o pop rock dos anos 60 mas o que faz o Strange Days único é que talvez ele seja a maior expressáo artistica pura do que essa banda pode fazer, eles aqui tem liberdade para usar todas as sonoridades que eles queriam, o disco ta cheio de órgãos hipnóticos, guitarras com eco, longas passagens instrumentais e climas quase alucinógenos, e o Jim ta totalmente solto em um vocal teatral narrativo contando histórias sobre pessoas deslocadas do padrão normal e sobre como a própria existência parecia dificil demais para ser encarada com tanto otimismo em 1967, inclusive ele sempre foi um grande crítico do movimento hippie e esse álbum parece uma grande resposta a todo esse otimismo que pairava a época. Um dos discos mais autorais da históia do rock que fica com a medalha de bronze e só fica atrás porque ele ainda tem uma coisinha ou outra ali que eu tiraria e os dois primeiros são simplesmente perfeitos.
Segundo Lugar - L. A. Woman

Se for para se despedir que seja com uma explosão, e assim é que o The Doors com a sua formação original dá adeus a música com o seu último trabalho, o mais maduro da sua carreira, lançado em 1971, apenas três meses antes da trágica morte de Jim Morrison, o L. A. Woman. Esse disco foi feito em torno do absoluto caos, o alcoolismo e a depressão do vocalista já estavam em estado crítico, ele estava completamente cansado da fama querendo dessistir de tudo, o produtor Paul Rothchild que foi o colaborador da banda nos outros cinco álbuns abandonou esse projeto na metade por não concordar com o rumo que eles queriam tomar, então sobrou pra banda produzir sozinha com o engenheiro de aúdio. Então o que tinha tudo para ser o pior e mais bagunçado disco do The Doors na verdade se transformou no seu mais coeso, pois a banda pegou o blues rock do Morrison Hotel e aperfeiçoou para uma linguagem bem mais adulta. Aqui o grupo deixa as músicas existencialistas e esotéricas para focar em letras sobre a vida boêmia do jovem adulto, ele olha para as ruas, bares e estradas de Los Angeles e extrai uma sonoridade que retrata perfeitamente a vida de um desbravador moderno nessa cidade perigosa, talvez nenhuma banda tenha capturado tão bem a sensação de dirigir por uma rodovia americana durante a noite quanto eles nesse projeto. Ele abre com "The Changeling" em uma pegada mais groove falando sobre transformação, como é essa persona do Jim Morisson e como ela se transforma constantemente, quase apresentando essa nova versão do vocalista para o mundo, é uma das músicas mais funky da discografia deles, o próprio guitarrista comparou a uma música do James Brown, e isso mostra essa nova cara da banda, agora é menos experimentalismo e mais histórias reais sobre essa nova fase da vida do seu frontman. "Love Her Madly" vem em seguida e é um hit bem a frente do seu tempo, é um blues só que energético, cheio de vida, algo que você pode por a qualquer momento para tocar a vai te dar uma sensação boa, e para contrastar com a sonoridade alegre a letra fala sobre um amor que está acabando e foi escrita pelo guitarrista do grupo sobre o seu relacionamento com a sua esposa. Mas o disco também tem uns blues mais darks como é o caso de "Been So Down" e "Cars Hiss by My Window" músicas que tem uma pegada quase anos 50 em uma estética bem obscura. Mas claro que os grandes pontos altos do disco são a sua faixa- título que é uma das grandes faixas já feitas no rock setentista, 7 minutos de blues rock com uma performance energética do Jim que é como uma longa viagem de carro pelas ruas dos anos 70, é como se você fosse o Cliff Booth do Era Uma Vez em Hollywood no seu carrão branco andando por ai sempre que essa faixa toca. E claro, o final do disco "Riders On The Storm", uma daquelas
músicas perfeitas, uma letra sobre estrada, violência, isolamento e a própria mortalidade, uma das melhores produções que você vai ver em uma faixa dessa época, e uma voz potente de um Jim Morisson que antes de se apagar brilhou como nunca, o próprio Robby Krieger disse que ficou espantado como tudo deu certo para a composição dessa música e que se você a ouvir com a eminente morte do Jim na cabeça ela soa como um presságio, simplesmente um dos grandes hinos da história do rock. L. A. Woman é um dos melhores álbuns de todos os tempos, ele pega toda aquela bad trip que ronda toda a atmosfera da banda nos anos 60 e acorda de ressaca para uma longa viagem sóbria sobre a vida, t
alvez seja justamente por isso que ele pegue até hoje, sem que ninguém soubesse o The Doors estavam registrando sua despedida definitiva com Jim Morrison. E olhando para a discografia como ela é hoje, é difícil imaginar um encerramento mais digno do que terminar com "Riders on the Storm", uma música que reúne quase tudo o que tornou a banda inesquecível: poesia, atmosfera, blues, psicodelia e uma sensação constante de que existe algo misterioso esperando logo depois da próxima curva da estrada.
Primeiro Lugar - The Doors
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As vezes nada supera a sua estreia, e o primeiro álbum do grupo lançado em 1967 é um daqueles que já nasce um clássico. A banda que foi formada oficialmente em 1965 e passaram 1966 aperfeiçoando o seu repertório no famoso bar Whisky A Go Go, chegou no estúdio com um material que bandas com uma década de formação talvez não teriam, então esse disco que é lançado apenas com 2 anos de formação do grupo trouxe uma identidade completamente nova para uma banda de rock nos anos 60, eles não soavam como os Beatles ou os Rolling Stones, suas letras eram uma salada de ideias misturando espiritualidade e filosofia e o seu ritmo era um blues psicodélico sem baixo, assim o The Doors se apresentava para o mundo. E logo na primeira faixa do primeiro disco eles vem com "Break On Through (To the Other Side)", uma porrada de rock com jazz e toques de bossa nova com uma letra sobre você se libertar e atravessar para o outro lado, algo universal que poderia ser sobre romper limites ou expandir a consciência ou ultrapassar convenções sociais, uma apresentação perfeita do que era a banda e o seu intituito. "Soul Kitchen" que tem uma pegada de blues de Chicago e fala sobre um lugar de conforto para a sua alma, e "Crystal Ship" que é um jazz psicodélico e tem uma lírica que bebe bastante da poesia francesa podendo representar um barco rumo à morte, uma viagem espiritual ou de LSD, e até mesmo nosso inconsciente, pois o Morisson usa bastante conceitos Freudianos nesse álbum como vamos ver mais para frente, são grandes faixas clássicas. Porém o que levou o The Doors a outro patamar comercialmente foi o seu grande sucesso atemporal "Light My Fire" que mistura blues com jazz e até escalas de flamenco para criar algo único, é uma música que ao mesmo tempo que é sensual parece perigosa, tanto que muita gente associou ela a uso de drogas ou a sexo porém ela é universal e pode ser sobre despertar inúmeras coisas dentro de si mesmo. Lembrando que essa música é de 1967 e algo assim era praticamente impensável para um hit de rádio, mas eles fizeram funcionar como um sucesso. E claro que o grande trunfo desse disco é a performance do Jim Morisson que praticamente inventou essa persona do rockstar sensual e misterioso e aqui ele está no seu mais teatral, dando gritos, improvisando letras, mudando de tom na mesma música, ele é o que faz essa combinação de mistura de elementos musicias funcionar com seus poemas inspirados na geração beat que descrevia experiências e sensações que ao mesmo tempo que poderia ser sobre temas complexos ainda se conectava com o que estava acontecendo na época para qualquer pessoa escutar, e mais uma vez, ninguém estava fazendo algo perto disso na época, é quase como se ele tivesse capturado o zeitgeist. Mas se esse disco é perfeito e o L.A. Woman também é perfeito o que faz esse estar na frente??? Muito simples: "The End". A música que traz o fim desse disco é uma experiência, sabe quando você lembra exatamente onde você estava e qual foi a sua sensação ouvindo uma música pela primeira vez??? Eu tenho essa lembrança com "The End". Essa faixa de 11 minutos é como nada que eu já ouvi antes ou depois, o que deveria ser uma letra a principio sobre um término de relacionamento se transformou em uma letra que segundo o Jim Morisson poderia ser sobre o que você quiser, com eu lírico recitando algo em um tom quase ritualistico enquanto a sonoride parece algo que vai de um folk para música hindu ficando maior e maior até chegar no fim de tudo onde o filho deve matar o pai e transar com a mãe fazendo menção ao mito de Édipo que seria usando dentro do complexo de Édipo do Freud, e uma música que começa misteriosa e sussurrada termina com gritos e agonia extrema pelo fim, é para mim facilmente a melhor coisa que o The Doors já fez e um dos grandes pedaços de música de todos os tempos. O álbum The Doors hoje continua tão revolucionário quanto na época em que ele foi lançado, enquanto muitos grupos ainda buscavam definir seu som, a banda já unia blues, jazz, psicodelia, poesia, teatro e filosofia de maneira orgânica e inovadora. Esse continua sendo não apenas o melhor ponto de partida para conhecer o The Doors (talvez até por isso leve o nome da banda), mas também um dos discos mais importantes e revolucionários da história do rock, algo que jamais vai ser feito novamente porque existe apenas um rei Shaman na música.
E essa é o meu ranking sobre The Doors, essa é uma das minhas bandas favoritas e em um surto de criatividade eu ouvi todos os discos em dois dias, até os que eu já tinha ouvido, e fui escrevendo aqui o que eu achava de todos eles. Eu já tenho engatilhado aqui o próximo artigo do blog e agora que a copa acabou eu vou tentar ser mais ativo por aqui, então fiquem de olho. Até o próximo artigo e lembrem- se: se as portas da percepção fossem abertas, tudo pareceria como realmente é: infinito.
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