Airbourne: Do Pior ao Melhor


Outro dia desses eu lembrei de uma música aleatória de rock que eu ouvia e que tocava toda hora na WWE. Eu não lembrava o nome da banda ou da música, tudo que eu lembrava era que era uma banda que parecia muito com AC/DC. Então eu fui no google e pesquisei: “banda que copiava o AC/DC e tocava na WWE”, e assim eu lembrei da existência do Airbourne. Para quem não conhece eles são uma banda australiana que teve uma fama gigante no começo dos anos 2010 por ser uma espécie de novo AC/DC, mas eles são uma versão do AC/DC que ao invés de ter 17 álbuns tem apenas 6, ou seja são melhores. Então depois de eu entrar nesse rabbit hole eu escutei todos os 6 discos do Airbourne, que inclusive continua na ativa até hoje, e aqui estão eles rankeados, do pior ao melhor.


Sexto Lugar - No Guts. No Glory

Depois do sucesso do primeiro álbum da banda lançado em 2007 a banda voltou 3 anos depois com a clássica fórmula do mais = melhor e pra mim aqui está o grande defeito dele. Eu acho que para um álbum de puro hard rock como é a pegada do Airbourne funcionar ele tem que ser rápido e direto ao ponto, mas ao invés de seguir a fórmula do anterior que tinha meia hora esse aqui se expande para quase 50 minutos, tentando ser mais ousado e gigantesco que o primeiro, mas não funciona tão bem pra mim. Ainda assim tem sim algumas faixas que dá para se elogiar aqui, temos o hit “No Way But The Hard Way” que eu lembro de ser uma das mais reconhecíveis da banda quando eu ouvia muito ela, tem também “Born To Kill” que abre o álbum muito bem e “Raise The Flag” que é outra daquelas que tem um refrão muito reconhecível que é uma das marcas registradas da banda. A realidade é que eu nem acho esse álbum ruim, a fórmula é a mesma do primeiro (que vai estar bem alto no ranking) mas é bem cansativo de ouvir e os refrões e riffs não são tão memoráveis, lá pra sétima música eu tava bem cansado da sonoridade e esperando o disco encerrar logo. Eu indico esse se você for muito fã desse tipo de som ou do próprio Airbourne, do contrário eu escutaria só os singles.


Quinto Lugar - Airbourne

Em quinto lugar temos o mais recente, lançado em 4 de Setembro desse ano, e como costuma ser a tradição de álbuns que tem o nome do artista como título, eles tendem a ser um resumo da sonoridade da banda, como se eles dissessem “esse é o som que define a nossa trajetória” e esse álbum é meio que isso, ele traz vários pontos positivos da trajetória do grupo até agora mas também repete os pontos negativos do No Guts. No Glory, que é o fato dele ser longo demais para o seu próprio bem. O disco abre com duas pedradas ”Gutsy” e  “Alive After Death (Last Plane Out)" que tem uma pegada mais pesada e menos rápida e eu curti bastante, achei uma das melhores músicas da banda depois que eles saíram do mainstream, e eles pegam novamente o ritmo nas duas últimas "Hells Got No Vacancy" que tem um refrão muito memorável e "Send Me to Rock 'n' Roll Heaven" que é uma daquelas músicas sobre o poder do rock e como ele está acima de tudo e o importante é festejar, que eles já fizeram umas quinze vezes mas essa é uma das melhores faixas do tipo na minha opinião. O resto do disco ou é bem esquecível ou são músicas estranhas, por exemplo tem uma faixa inteira aqui sobre Natal chamada "Christmas Bonus" e eu achei horrorosa, não combina com a gimmick da banda e não é uma música que tem aquela pegada de rock natalino como por exemplo “Merry Christmas (I Don't Want To Fight Tonight)” do Ramones. No fim do dia Airbourne é um trabalho que funciona, mas que pra mim não alcança o nível dos melhores momentos da banda por ser muito longo e não renovar a fórmula apenas reproduzindo seus highlights novamente.


Quarto Lugar - Breakin' Outta Hell

Lançado em 2016 Breakin' Outta Hell é talvez o último suspiro da banda no mainstream ou pelo menos é assim que eu me lembro, porque a última vez que eu ouvi uma música deles foi nessa época quando a faixa-título tocou no Hell In a Cell 2016, e é engraçado que por um lado a fórmula de hits energéticos com refrões fáceis de pegar para tocar em vídeo games e em filmes teens já estava bem batida, ao mesmo tempo esse é um dos discos que melhor executa essa fórmula. A própria “Breakin' Outta Hell” que eu já citei é muito boa, energética e feita pra ser tocada ao vivo, eu imagino que deve ser loucura ouvir essa em um show. “Rivalry” é outra pedrada que ficou na minha cabeça logo na primeira vez que eu escutei, assim como "I'm Going to Hell for This" que é basicamente o “Highway To Hell” da banda mas é bem carismática para não ser apenas uma cópia mal feita. E ele encerra muito bem com "It's All for Rock n' Roll" que mais uma vez, é a clássica faixa de louvar o rock e curtir até o fim, e é maravilhosa, você se sente mais energizado só escutando essa pedrada, além dela ser uma linda homenagem para o Lemmy Kilmister do Motörhead, e também citar outros ícones do rock que faleceram, como o Bon Scott e o Keith Moon, é uma das melhores letras da banda. No geral eu gosto bastante desse disco, eu acho que ele é bem agressivo e com faixas bem memoráveis, só não está mais na frente porque como eu disse ele é a mesma fórmula, e nos três que tem mais para frente ou eles mudam um pouco a fórmula ou eles fazem ela melhor. Ainda assim eu indico bastante esse se você curte um hard rock clássico feito bem.


Terceiro Lugar - Boneshaker

Como eu disse, depois de 2016 o Airbourne saiu bastante do mainstream, eles pararam de tocar em mídias novas e começaram a focar mais nos seus fãs que continuavam a ir nos shows e apoiar eles, basicamente eles fizeram uma fanbase muito leal e decidiram focar sua sonoridade em agradar eles, e aqui entra o Boneshaker. Lançado em 2019 e sendo a sequência do Breakin' Outta Hell esse á o álbum mais diferente da banda, ele ainda é um disco regular de hard rock nos moldes do AC/DC mas ele é bem mais cru, com menos refrões fáceis e mais peso no instrumental para ser tocado ao vivo para os fãs da banda, e eu adorei. A faixa-título já abre o disco muito bem com um riff mais pesado e cadenciado, em vez de apostar apenas na velocidade. “Burnout the Nitro” é outro acerto porque parece que ela só vai ficando maior e maior no instrumental até explodir no final, é uma das mais diferentes deles, porque eu sempre achei o instrumental dessa banda bem básico e o diferencial ser a voz do Joel O'Keeffe que traz essa energia na performance vocal dele, mas aqui eu acho que o peso consegue acompanhar o carisma dele muito bem. Mas claro, por ser o Airbourne a fórmula de hits continua aqui e é isso que segura o disco um pouco atrás pra mim, porque eles apostaram bastante nessa energia crua no estilo rock de bar mas ainda tem umas músicas bem no estilo do outro álbum como “Rock 'N' Roll for Life” mas infelizmente elas não tem tanto carisma quanto no outro disco, então ele fica meio desbalanceado ali na metade dele. Ainda assim é interessante ver o rumo que a banda tomou depois de sair do mainstream, eu consigo entender porque esse é o favorito de muitos fãs e eu particularmente gostei bastante também.


Segundo Lugar - Runnin' Wild

Esse é o mais clássico de todos, o primeirão, se você gpstava de rock no começo de 2010 você com certeza lembra de pelo menos umas quatro músicas desse álbum. Lançado em 2007 o Runnin’ Wild é o primeiro disco da banda depois de 6 anos deles aperfeiçoando o som que eles queriam fazer, e você consegue sentir a fome de uma banda jovem querendo conquistar o mundo. O som tem uma espontaneidade que combina perfeitamente com as letras sobre juventude, excesso, liberdade, estrada e claro, muito rock n roll. Ela abre com "Stand Up for Rock 'N' Roll" e tudo que eu lembro quando eu escuto essa música é colocar o Nascar 08 no meu Play 2 e abrir o menu ouvindo essa pedrada, muita nostalgia, essa inclusive deve ser uma das músicas da banda mais imprimidas dentro da cultura pop porque eu também lembro dela tocando na WWE várias vezes. Depois nós temos a faixa-título que é outra clássica dos anos 2000, tocou em um monte de videogame e por muito tempo foi uma daquelas músicas de esporte que toca no intervalo de jogos populares americanos. Ai você pensa “pow duas pedradas, agora  agente vai acalmar um pouco, vai vir um deep cut” não, pois tome “Too Much, Too Young, Too Fast” logo em seguida, outro clássico máximo do rock mainstream dos anos 2000, lembro de ver tocando em uma porrada de lugar mas principalmente no filme Eu Te Amo Beth Cooper, que eu lembro de ser um desses filmes que passava toda hora na tv e eu assisti umas quatro vezes e liguei a faixa ele, isso é outro ponto, as músicas desse primeiro disco tocaram em um monte de comédia romântica da época. Claro que a comparação com o AC/DC era inevitável desde esse começo, porém o mérito da estreia está na maneira como a banda transforma essas influências em músicas imediatamente reconhecíveis e muito eficientes. Pra mim não tem uma música ruim aqui, das mais famosas como “Blackjack” até as mais desconhecidas como "Diamond in the Rough", são todas bem carismáticas, e é um disco bem gostosinho de ouvir do início ao final, que só não fica em primeiro porque eu gosto um pouco mais do outro.


Primeiro Lugar - Black Dog Barking

Depois do lançamento do No Guts. No Glory, que vendeu bem aliás, o próprio Airbourne admitiu que aquele não tinha sido o seu melhor trabalho e resolveu voltar ao que funcionou no seu terceiro álbum, com um disco rápido, fluído, carismático, porém mais maduro do que o seu primeiro projeto, então assim em 2013 foi lançado o Black Dog Barking, terceiro disco da banda e para mim o melhor deles. Esse ranking é feito com a minha análise técnica mas por ser uma banda que nunca mudou muito a sua sonoridade eu também levei bastante da minha experiência com a música deles, e 2013 foi um dos primeiros anos que eu comecei a ouvir rock, além disso foi um dos primeiros anos que eu peguei para acompanhar wrestling o ano todo vendo os shows semanais e a coisa toda, então eu lembro muito de “Live It Up” tocando para anunciar o Extreme Rules daquele ano, e é um refrão que ficou tão imprimido na minha mente que foi essa a música que eu lembrei aleatoriamente do começo do artigo, simplesmente do nada minha mente lembrou de “you gotta live it uuuuuuuup WOW WOW WOW”, pra mim um clássico supremo da banda. A gente já abre o disco com o que é na minha opinião a melhor abertura da banda “Ready To Rock”, é simples, objetivo e extremamente memorável. "Back in the Game" é outro clássico pra mim, eu lembro dela no Guitar Hero e descobri recentemente que ela tocou até no Cobra Kai que foi lançado muitos anos depois, e é porque ela parece atemporal, uma faixa energética que funcionaria nos anos 70 como funciona em 2026. “Hungry” é outra que poderia simbolizar tudo o que a banda traz de bom, uma letra sobre sair da escola, roubar uma van e junto com a sua guitarra viver apenas das bênçãos do rock n roll, isso com riffs de guitarra muito reconhecíveis, e uma bateria pulsante no instrumental, com o Joe passando a sensação de urgência e ambição, combinando com a ideia de uma banda que ainda tem fome de conquistar o mundo pela segunda vez. Eu disse que o Runnin’ Wild é gostosinho de ouvir e não tem nenhuma faixa lá que eu consideraria ruim, mas tem algumas coisas lá que eu acho que poderiam ser melhores, e aqui eles fazem para mim a declaração perfeita do que é essa banda: som fácil de entender, rápido, e muito divertido de escutar, sem dúvidas seria o disco que eu apresentaria para alguém que quer conhecer a banda ou que quer ouvir mais hard rock, porque todas as faixas são boas, e os 35 minutos de disco passam voando. Black Dog Barkin’ pega a energia do primeiro disco e a ambição do segundo e consegue condensar tudo isso no seu projeto mais coeso e mais memorável. Não é uma reinvenção da fórmula, mas o momento em que a banda parece compreender perfeitamente como tirar o melhor dessa sonoridade. Por isso ele fica com o primeiro lugar do meu ranking.


E esse é meu ranking do Airbourne, eu não sei se as pessoas ainda lembram dessa banda, mas se você lembra de alguma música deles por causa de algum produto de mídia comenta ai. Nos vemos ainda em Outubro com uma história bem interessante sobre uma música que virou simbolo de Halloween.

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