2026 já está entre nós mas nós ainda temos coisas de 2025 para falar, pois em Dezembro daquele ano dois artistas lançaram seus tão antecipados projetos, e esses dois projetos tem mais em comum do que parece. Pois tanto MC Lan quanto Matuê vieram com propostas de mudanças de paradigmas dentro da sua própria proposta musical e isso se refletiria em todo o resto do cenário da música. E após finalmente ter ouvido algumas vezes os dois projetos vamos ter uma conversa sobre qual álbum foi melhor e quem realmente trouxe essa proposta dentro das suas músicas.
Apesar do Matuê ter lançado primeiro para a gente montar a timeline de como o marketing para esses dois projetos foi feito temos que falar primeiro do MC Lan.
A expectativa colocada pelo próprio MC Lan era esse projeto ser lançado por completo em Dezembro de 2024, em Outubro ele lançou o single “F3NIX” com ele anunciando o álbum em Novembro daquele mesmo ano, porém passou Dezembro, Janeiro, Fevereiro e todos os outros meses de 2025 e nós nunca mais ouvimos nada do MC Lan ou do V3NOM, o cara simplesmente sumiu de novo.
Em Agosto de 2025 o maior trapper brasileiro da atualidade começou a sua própria campanha para o seu próximo lançamento depois do sucesso do seu 333 lançado no ano retrasado, e é injusto dizer que o seu rollout foi uma cópia do MC Lan porque a abordagem foi bem diferente, o Matuê não prometeu uma revolução misturando genêros mas sim uma mudança dentro do próprio gênero do trap. Basicamente todo seu marketing começou no Twitter com ele tweetando apenas em caps lock, assuntos como que o trap estava horrível porque a mão da indústria estava dominando o mercado, que era a hora de fazer uma limpa no que ele chamou de “NPCS”, postando fotos de estéticas góticas, e mudando a sua foto de perfil para essa imagem que eu usei na introdução que era inspirada no “This Man”, que é uma das lendas urbanas mais antigas da internet. Todo esse comportamento do Matuê gerou bastante polêmica, primeiro de um rapper chamado Link do Zap que também já tinha lançado uma capa inspirado nessa estética e disse que o Tuê estava copiando ele, todo esse visual gótico foi criticado por ser bem copiado do que o Playboi Carti já estava fazendo anos atrás e a sua gravadora foi criticada por ser esse tal mercado que ele mesmo estava criticando, considerando que ele é o maior artista do gênero no Brasil. Mas claro, quanto mais críticas mais atenção para a campanha do álbum do Matuê que foi aumentando mais e mais o rollout criando um site chamado xtranho.com com easter egg para os fãs explorarem, e confirmando o nome do álbum para XTRANHO. Aos poucos toda a cena começou a olhar mais e mais para ele, com vários artistas do underground usando a foto no estilo do “This Man” e muitos acreditaram que seria um álbum totalmente underground do maior artista da cena.
Apesar do Matuê falar que o mês de Novembro era dele e que quem quisesse lançar perto da sua data seria ofuscado o XTRANHO foi lançado apenas no dia 10 de Dezembro depois de um show gratuito no mesmo dia com todas as músicas do álbum. No mesmo mês de Dezembro o MC Lan começou novamente a hypar o lançamento do V3NOM mais uma vez falando que seria lançado em breve e por mais que a galera não estava acreditando muito quem diria, dessa vez saiu, não ele todo, mas o primeiro volume, no dia 21 daquele mês.
Aqui a gente vai inverter a ordem a falar primeiro do XTRANHO sendo que ele foi lançado primeiro.
O Matuê é o Drake brasileiro no sentido bom e ruim, mas principalmente em prometer um conceito ou uma abordagem para o seu próximo álbum e usar bem pouco dela e fazer a sua mesma fórmula que funciona de novo e de novo. O Drake já prometeu várias mudanças radicais de sonoridade e usou essas mudanças em duas faixas de um álbum de 20 em que nas outras ele fez o seu arroz com feijão de RnB com trap que os seus fãs adoram. O que eu estou tentando dizer é que o álbum do Matuê não é estranho, bem longe disso. Aqui ele pega bastante da sonoridade que o Playboi Carti popularizou através dos anos e faz a sua coisa em cima delas, são batidas um pouco mais abrasivas, tem algumas distorções, são bem mais minimalistas e menos explosivas mas ainda assim o flow do Matuê é o mesmo, ele fala aqui e ali sobre assassinato e sobre góticas e esse tipo de coisa mas no geral as letras são sobre dinheiro, poder e como ele é muito mais bem sucedido que você, o mesmo de sempre que ele rima desde o seu inicio de carreira.
Isso quer dizer que o álbum é ruim então certo??? Definitivamente não, o Matuê como a máquina de hits aqui eu diria que acerta em todas as músicas com a sua fórmula, seja fazendo flow cantado até indo para uma métrica mais próxima do pop trap que é a sua marca registrada. Na verdade depois desse lançamento eu fui ouvir toda a discografia do artista de novo e eu posso dizer com uma certa certeza de que XTRANHO é o meu álbum favorito do Tuê, ele está fazendo sua coisa aqui e está fazendo bem.
O problema é que o que nos foi prometido não foi mais um álbum bom de trap do Matuê, o que nos foi prometido foi uma mudança de paradigma dentro do gênero, e isso aqui não é chefe, isso é só outro álbum do Matuê. A música que virou meme e todo mundo odiou “Facas e Machados” na verdade foi a única coisa que eu achei na proposta do que ele prometeu, é uma música que e escutaria toda hora no meu dia a dia??? Não, mas ela pelo menos é uma tentativa de algo diferente, e era isso que todo mundo esperava, um álbum em uma vibe meio mixtape experimentando sonoridades com mais de 20 artistas que ninguém nunca ouviu falar aqui, mas não. Por isso eu acho que todo mundo está sendo tão negativo com o álbum, porque ele não está à altura do hype que ele mesmo se colocou, por mais que eu ache que no futuro as pessoas vão reavaliar ele de um ponto de vista mais positivo, porque como eu disse é um álbum bom musicalmente, ele só não é estranho ou qualquer outro adjetivo que foi atrelado a ele antes do seu lançamento.
Do lado do MC Lan ele fez um álbum… ok, legalzinho. Esse é só o volume 1 do V3NOM então talvez nos próximos a gente veja mais dessa mistura de trap com rock e funk em uma nova coisa mas aqui é um álbum regular de metal, e pra mim ele é igual a quando o Mr. Catra fez um banda de metal e fez algumas músicas com eles e era legal de ver, o instrumental estava bem feito, o Mr. Catra tinha uma voz legal cantando e tal mas minha curiosidade parava ai sobre isso, e para mim é mais ou menos por ai com esse primeiro álbum de metal do Lan. Os instrumentais estão sendo bem tocados, eles são bem nostálgicos porque eles estão tentando emular músicas famosas de bandas dos anos 2000 como o Linkin Park e o System Of a Down, e até tem algumas versões dos instrumentais dos funks famosos do MC em forma de metal com letras novas, então é legal essa nostalgia mas no geral para mim o grande problema desse álbum é que ele está tentando ser muita coisa sem ter tanta bagagem para isso.
V3NOM Vol 1 tem 15 faixas em 1 HORA E 15 MINUTOS, o MC Lan até inova em letras saindo completamente do funk putaria para falar algumas filosofias sobre a vida e como você pode conseguir tudo ao mesmo tempo que tem um monte de músicas românticas e pra mim fica muito no superficial, tem bastante músicas legais principalmente ali entre as 6 primeiras músicas do álbum mas depois disso é quase uma repetição de temas e de instrumentais, tem faixas que são apenas um instrumental atrás enquanto ele faz um discurso sobre algo e parece que nunca acaba.
E o que me incomoda mais é que perto do final do álbum nas últimas três músicas a gente tem um gosto do que ele estava prometendo porque as últimas faixas são uma mistura de trap com rock que tem ali alguns momentos de funk que aparecem, e são músicas interessantes eu queria ver mais disso mas ai o álbum acaba e vai saber quando teremos esse volume 2. E sim você pode argumentar que é uma prévia e esse segundo volume vai vir arrebentando a porta e mudando tudo mas vamos ser sinceros um minuto??? V3NOM Vol 1 meio que floppou. Eu sei sobre esse álbum porque desde que o MC Lan falou dele eu sempre fiquei ligado nas datas de lançamento e falando com meus amigos que também estavam interessados mas tirando os meus dois grupos de amigos eu não ouvi ninguém comentando muito sobre esse álbum. De um lado otimista pode ser o efeito de lançar perto do Matuê que obviamente venderia mais e o segundo vai ganhar mais atenção, mas de um lado pessimista o Lan ter demorado 1 ANO para lançar depois de todo o hype daquela entrevista do Flow ter passado por ter sido um grande erro, e grande parte do público ter apenas perdido o interesse para ver o que o MC Lan tinha para oferecer depois de tantos delays de lançamentos.
Enfim, pelo menos eu estarei aqui para ouvir os próximos passos do projeto V3NOM, seja lá em que década eles sejam lançados.
No fim, vamos responder a pergunta: qual desses dois álbuns causou uma revolução musical??? Nenhum deles, mas, são dois álbuns bem interessantes, os dois são bons e mostram bastante do talento desses dois artistas. XTRANHO é a fórmula Matuê com uma roupinha gótica mas ainda é um bom álbum de trap, e o MC Lan se mostra bastante confortável dentro do Metal fazendo sons bem nostálgicos para nós que crescemos com o gênero e uma desenvoltura em deslizar flows por instrumentais mais ortodoxos. Então no geral são dois álbuns que me fazem querer saber o que esses dois vão fazer em seguida, quem sabe até uma colaboração??? Não seria a coisa mais estranha do mundo ver isso. Mas principalmente esses dois projetos foram aulas sobre marketing, e eu espero que se algo inspire os artistas da atualidade seja isso, sair da casinha e ao invés de simplesmente lançar o nome do álbum no Instagram e lançar um clipe se arriscarem mais, procurar outras alternativas de fazer todo mundo falar sobre o seu álbum antes de você lançar. Se tem uma coisa que eu estou cansado é saber de um projeto incrível de rap/trap brasileiro só 3 meses depois que ele lançou porque absolutamente ninguém estava falando sobre ele e eu descobri por acidente em um tweet ou tiktok da vida.
E para encerrar eu indico do álbum do Matuê ele inteiro porque ele tem meia hora só, mas os highlights mesmo são “Rei Tuê”, “Talking About”, “Meu Cemitério” e “Xtranho”. Do lado do MC Lan eu indico a primeira faixa chamada “Robocop” que sim é com o baterista do System Of a Down e é do caralho, não só a melhor música do disco mas como é a melhor desses dois projetos, “Scorpion” e “Darth Vader” também são muito boas, “Evil Londres” tem a versão metal de “Sua Amiga Eu Vou Pegar” então é bem nostálgica e como eu disse as últimas três faixas são realmente misturas de géneros bem interessantes, e eu adoraria ver mais disso vindo dele ou de qualquer outro artista atual da cena.
2026 vai ser incrivel aqui no blog, eu já tenho várias ideias de posts e quadros para cá, agora na próxima semana se tudo der certo já tem outro artigo, eu sei que o Ferrer também ta com muitas ideias legais. Então nos vemos pelo resto do ano, até a próxima.



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